No More Takes: Pérolas
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Não sou mas...



Em 1986 parece que se vivia com mais humor, ou pelo menos com a leveza que a pop, por vezes, consegue oferece. Soares era aclamado presidente e, logo de seguida, em vez da mesa de dissecação política que hoje sucede antes, durante e depois de cada eleição, a televisão estatal cumpria na perfeição a sua função de serviço público: Heróis do Mar, receosos do papá da donzela, a cantar que no carro é que dá para conversar.

Lições de vida. Na RTP 1.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Publicidade em 4 rodas



P'rós lados de Entrecampos pensam a publicidade em graaaaaaaaaaaaaaaaande mesmo com um budget reduzido.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Prevenir para não remediar


Ainda dizem que TV não ensina nada aos miúdos. Ensina mesmo que seja após a consumação do erro.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Satan said: Dance! E eu dancei




E dancei assim na passada 6ª no Incógnito na companhia da malta que se reuniu para festejar os 33. Pessoal ou virtualmente.




quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ainda Murakami



Embora nada o fizesse prever, está a ser um início de ano murakamiano. Mas culpa é, em parte, do Digg Reader que traz diariamente à costa bomboms que alimentam as minhas obsessões.

Confissões de gula à parte, o novo site do Murakami é do melhor que tenho visto: envolvente, experimental, arrumado.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Não há coincidências



Veio parar-me às mãos o livro Auto-retrato do escritor enquanto escritor de fundo do Haruki Murakami.

Não sou particularmente fã do Murakami. Ainda não percebi bem porque. Acabei de teclar o ponto final que antecede esta frase e ainda continuo a tentar descortinar razões que me impedem de simpatizar com as suas narrativas.

Mas afinal que mal isso teria? Não saber porque que não se gosta? A essas questões já sei responder de caras: simpatizo com o senhor Murakami porque, tal como eu, corre. É tolo, não é? Gostar do que nos é próximo. Gostar por comparação. Gostar por familiaridade. Talvez não. Talvez seja só uma plataforma de entendimento possível. Tem que se começar por algum lado, nem que seja perceber que o outro corre com uns New Balance iguais aos nossos.

Ainda não acabei o livro. Falta pouco. É provável que o termine amanhã com muita pena que a leitura não se prolongue.

O livro não é ficcional. O senhor Murakami decidiu escrever sobre o acto de correr para poder fazer posteriormente um salto para a sua escrita e modo de vida. É inevitável que, uma e outra vez, sinta uma enorme afinidade com as suas descrições sobre alongamentos, dores nos músculos, respiração e suor a correr em bica pelo corpo. É o mesmo tipo de relação que se estabelece quando me cruzo com um corredor durante as minhas voltas. Há um sorriso sem dentes que cada um reconhece como aguenta, pá!

Tenho vários hábitos que acompanham a leitura. Não, não leio a última página. Leio sempre o livro todo. Leio os caracteres que estão na capa, na contra-capa, as introduções, os prefácios, os epitáfios, as citações marqueteiras que nos falam maravilhas dos livros (parto-me sempre a rir não só por causa da unanimidade sobre o livro em questão como de as mesmas entidades chegarem a consensos sobre o génio de mais de 454878789 autores) e leio sempre a ficha técnica do livro. Significa ter acesso ao BI do livro: de onde veio, quando viu pela primeira vez a luz do dia, quantas vezes regressou e qual o seu nome original.

O título original em inglês de Auto-retrato do escritor... é What I Talk About When I Talk About Running. Um claro piscar de olho a What We Talk About When We Talk About Love de Raymond Carver. De facto, Murakami tem vindo ao longo dos anos a traduzir para japonês a obra de Carver, de quem foi amigo. Sem Murakami é provável que a obra de Carver ainda não tivesse chegado ao Japão.

What We Talk About When We Talk About Love é um dos meus livros favoritos. Provavelmente não há coincidências.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Running from depression since 1982


Pois é meus amigos, se o orçamento não estica até à farmácia mais próxima, temos sempre o calçonito e as sapatilhas para dar ao pernil nos parques que por enquanto ainda não foram privatizados.

Tudo para escapar às garras desse papão dos tempos que passam.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Eid Ma Clack Shaw não confundir com um parente afastado de George Bernard Shaw




Callahan, o mister que em tempos idos assinava a sua obra como Smog é um tipo cheio de truques na manga. Por truques não se entende a produção ardilosa dos seus discos. Dificilmente identificamos algo mais low&tech na paisagem dos cantautores americanos. As reviravoltas inesperadas residem no humor retorcido que se esgueira das mangas da sua camisa de cowboy.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ask by Erlend



O que sobra na poupa, acresce no óculo. É Erlend, a outra metade dos Kings of Convenience, a interpelar a audiência.

terça-feira, 31 de maio de 2011

O Príncipe dos Sofás


Deixo-vos um delicioso review feito pela Icon à mais recente obra literária da cantora, "My Passion For Design". Um clássico intemporal, com lugar reservado na secção D(ada gu dadá) da prateleira de artes.

Ler Artigo

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Marketing Case Study


Uma das marcas autóctones mais enfadonhas do mercado aliou-se ao alvo mais acarinhado das andedotas lusas do momento. Nesta situação win-win, a marca atrai atenção enquanto Futre, igual a si mesmo, transforma o risível em algo potencialmente lucrativo.

Estou curioso sobre a eficácia da campanha publicitária.

sábado, 9 de abril de 2011

Retrato




Anda para aí muito desencanto geracional. Não é para admirar. Atrevo-me a dizer que esse vírus contagiou tanto português que o habitual generation gap ficou encurtado até à dimensão de uma fresta. A pouca luz que passa pela pequena abertura banha com fracasso todos os lusitanos do território nacional.

O que é realmente digno de espanto são as celeumas com as nomenclaturas geracionais, a escolha de hinos e as discussões sobre o grau de literalidade dos poemas das canções que servem de suporte ao desencantamento nacional.

Mas todo esse desassossego pátrio não passa de um enorme passatempo domingueiro.

Tenho para mim que as palavras mais cruéis, porque mais mordazes, dirigidas à geração pós 25 de Abril saíram da boca de JP Simões. O álbum 1970 foi um verdadeiro vendaval musical que varreu meia dúzia de ipods ou discmans. Isto em 2007.

domingo, 27 de março de 2011

Indefinições Presidenciais


Quanto a notícia surge depois do fecho do jornal, o tiro das sondagens pode sair pela culatra.



»» Delírio burlesco a partir de imagens do filme A Queda (2004).

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sem Nação/Com Hino



Na impossibilidade de fundar uma Nação sem território, fica o consolo da proposta de um hipotético hino nomoretakiano: Disorder. O primeiro tema do álbum de estreia de Joy Division, Unknown Pleasures (1979), serviria bem o propósito de espantar o caos interior com um par de gargantas desafinadas em uníssono.


Disorder

I've been waiting for a guide to come and take me by the hand
Could these sensations make me feel the pleasures of a normal man

New sensations bear the innocence - leave them for another day

I've go the spirit, lose the feeling 


take the shock away

It's getting faster, moving faster now, it's getting out of hand
On the tenth floor, down the backstairs into no-man's land
Lights are flashing, cars are crashing, getting frequent now
I've got the spirit, lose the feeling, let it out somehow


What means to you, what means to me - and we will meet again

I'm watching you, I watch it all

I take no pity from friends

Who is right and who can tell, and who gives a damn right now
Until the spirit, new sensation takes hold - then you know
I've got the spirit, but lose the feeling 
Feeling 

Um Homem/Uma Ideia/Um Chinês



Ainda há cinco minutos era do Sporting. Agora sou um pobre tonto cheio de dores no maxilar.

terça-feira, 15 de março de 2011

Variações melódicas do modelo marshalliano

Ponto de Equilíbrio

Ter aulas numa faculdade construída em altura promove encontros académicos particulares. Consideremos um cruzamento do homo economicus com uma ária de Bach. Da miscigenação das ciências humanas saem crioulos mentais cheios de vitalidade, pelo menos é o que pensa o meu cérebro. Eu tento não contrariá-lo.
Se metermos ao barulho, o mais que provável, encontro com um texto de Leibniz, ficamos com o melhor dos mundos possíveis, dentro do melhor edifício possível. 

E cá estou eu, sentado, a usufruir de uma situação plena de aprendizagem. Navego no mar alto dos meios de produção, com curvas da oferta a bombordo e vibrações de ar disciplinadas pelo chicote do metrónomo a estibordo.

Embalado pelas representaçõs gráficas das elasticidades que os zés comuns fazem ao sabor do mercado, custa-me acreditar que haverá melhor forma de frequentar aulas de introdução à Economia. É que ao fundo, o compasso quaternário rompe em sustenidos que me fazem ferver o sangue. 

O professor deveria estar agradecido. Ensinar com orquestra é como fazer da plateia vítima indefesa do movimento encantatório de uma cobra capelo. A picada é mortal.

Ao fim de uma hora e meia a tentar descortinar a intensidade das variações nas quantidades procuradas ao som de um piano que lembra Chopin, finda o concerto que se assemelhou a uma aula.